Ideologia infiltrada na educação

Editorial do jornal “Gazeta do Povo”, do Paraná (edição de 12.07.2009).

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No fim desta semana, o Ministério da Educação encerra as inscrições para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que neste ano ganha importância muito maior que em edições anteriores. A prova servirá como vestibular para quase duas dezenas de universidades federais em todo o Brasil (incluindo a Universidade Tecnológica Federal do Paraná), além de ser usada como primeira fase por outras instituições ou como componente da nota final de vestibulandos (como na Universidade Federal do Paraná). Além da apreensão comum que acompanha a estreia do exame como meio de seleção para instituições federais, um risco pouco comentado ronda a prova do MEC. Na redação de 2007, por exemplo, os estudantes foram induzidos a cantar as glórias do relativismo cultural; em outras questões percebia-se um viés ideológico favorável às doutrinas marxistas. Não é absurdo questionar se o governo, ainda mais em véspera de ano eleitoral, não poderia usar o exame para impor um modo de pensar sobre os candidatos, ansiosos em conseguir boas notas e dispostos, para isso, a dizer o que o examinador deseja ouvir.

Essa influência ideológica no ensino, entretanto, não é exclusividade do governo federal; naquele mesmo ano de 2007, a Gazeta do Povo denunciou o viés esquerdista de vários outros vestibulares, de instituições públicas e particulares, bem como a ideologização presente nos livros didáticos elaborados pelo governo estadual para o ensino público. Outros veículos de comunicação destacaram que o conteúdo de esquerda estava presentes em apostilas e livros de colégios privados. Desde então, pouca coisa parece ter mudado: o livro didático público de Educação Física oferecido pelo governo estadual, apontado pela Gazeta do Povo como exemplo de ideologização, continua a apresentar as mesmas críticas ao capitalismo e informações enviesadas, como quando condena o uso político do futebol pelas ditaduras brasileira e argentina, mas silencia sobre o mesmo uso político dos esportes em ditaduras como Cuba e os países do antigo bloco socialista.

A denúncia, portanto, continua atual. A ideologização no ensino médio, no entanto, tem suas origens na ideologização das universidades – meio pregado pelo teórico socialista Antonio Gramsci durante o século passado, como alternativa à tomada violenta do poder –, já que é dessas instituições que vêm os professores de ensino médio e os autores de material didático. Os episódios recentes na Universidade de São Paulo revelam como o movimento estudantil e sindical dentro da USP se tornou uma extensão de grupos de orientação trotskista, alheios às vontades dos estudantes, que em sua maioria preferiram ignorar a greve realizada em junho – na medida do possível, pois são vários os relatos de aulas interrompidas pelos grevistas, com direito a ameaças por parte dos manifestantes.

Assim, o trabalho de tornar o ensino médio livre de influências ideológicas exige frentes diversas: enquanto pais e educadores comprometidos com um ensino de qualidade precisam fiscalizar o conteúdo passado aos alunos, também é preciso que as universidades voltem a se tornar centros em que a prioridade seja a produção e disseminação de conhecimento, e não a difusão de doutrinas anacrônicas e amplamente rejeitadas em todos os países onde se tentou sua implantação.

http://www.gazetadopovo.com.br/mundo/conteudo.phtml?id=904451

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