Cartilha para Zumbis

Por Márcio Leopoldo Maciel  *

Ele é um dos maiores sucessos do mercado editorial brasileiro. Em 2007, segundo dados da Revista Época, seus livros alcançaram 10 milhões de exemplares vendidos. De acordo com seu editor, eles são usados por mais de 50 mil professores, tanto em escolas públicas, quanto em escolas privadas. Desde 1998, estimativas do MEC, mais de 20 milhões de estudantes usaram a coleção de livros didáticos. O MEC contribui bastante, só em 2005 adquiriu 3,5 milhões de exemplares. Em 2010 as compras foram modestas, mesmo assim, o MEC gastou 2,5 milhões de reais na compra de 77 mil exemplares do volume único para o Ensino Médio. Parece pouco, mas esses números colocam o título entre os mais comprados em 2010 pelo MEC para o ensino de História. Assim, a dicotomia abaixo é conhecida pela maioria dos estudantes brasileiros. 

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Denúncia da Folha de São Paulo (13.06.2010)

Livro do Exército ensina a louvar ditadura

Colégio militar usa material de história com perfil diferente do indicado pelo MEC

ANGELA PINHO
DE BRASÍLIA

A história oficial contada aos alunos dos 12 colégios militares do país omite a tortura praticada na ditadura e ensina que o golpe ocorrido em 1964 foi uma revolução democrática; a censura à imprensa, necessária para o progresso; e as cassações políticas, uma resposta à intransigência da oposição.

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Se eles não praticam o que anunciam – ou sugerem -, por que outros devem fazê-lo?

Comentário do Prof. Waldson Muniz (Brasília-DF) sobre a lição de moral de Cereja e Cochar: É lamentável e triste que professores (logo, pessoas bem informadas e formadoras das almas das novas gerações) disponham-se a prestar o papel de militantes da ideologia socialista, a qual, como os autores Cereja e Cochar devem saber, nunca distribuiu bicicletas nem coleções de Barbies, como fica sugerido no livro Português…

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Envenenando as almas das crianças

Por Miguel Nagib *

No capítulo 3º do livro didático “Português Linguagens – 5º ano”, de autoria de William Roberto Cereja e Thereza Cochar (Editora Atual, pertencente ao grupo Saraiva), os estudantes encontram, logo abaixo do título – “O gosto amargo da desigualdade” –, o seguinte parágrafo:

Você alguma vez já se sentiu injustiçado? Seu amigo com duas bicicletas, uma delas novinha, e você nem bicicleta tem… Sua amiga com uma coleção inteirinha da Barbie, e você que não ganha um brinquedo novo há muito tempo… Se vai reclamar com a mãe, lá vem ela dizendo: ‘Não reclama de barriga cheia, tem gente pior do que você!’. Será que há justiça no mundo em que vivemos?

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