A ciência como vocação

Por Max Weber

“[…] Neste momento, detenhamo-nos por um instante nas disciplinas que me são familiares, que são a sociologia, a história, a economia política, a ciência política e todos os tipos de filosofia da cultura que têm por fim a interpretação dos diversos tipos de conhecimento precedentes. É costume dizer, e eu concordo, que a política não tem lugar nas salas de aulas das universidades. Primeiramente, não tem mesmo, no que se refere aos estudantes. Deploro, entre outras coisas, que, [na sala de aula] de meu antigo colega Dietrich Schafer, de Berlim, certo número de estudantes pacifistas se haja reunido em volta de sua cátedra, para fazer uma manifestação. Também deploro o comportamento de estudantes antipacifistas que, ao que tudo indica, organizaram manifestação contra o professor Foerster, do qual, em virtude de minhas concepções, me sinto, por isso, muito afastado e por muitos motivos. Mas a política não tem lugar também, no que compete aos docentes, principalmente quando eles tratam cientificamente temas políticos. A política está, mais do que nunca, deslocada.

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Do cabresto ideológico ao maná estatal

Por José Maria e Silva

Segundo a mitologia intelectual, que tende a ser mais dogmática do que a mitologia religiosa, juventude é sinônimo de rebeldia santa, motivada sempre por uma indignação espontânea, que facilmente se transforma em protesto contra as injustiças. Na América Latina, em face dos muitos golpes militares, o mito da juventude idealista é ainda mais forte, uma vez que os estudantes participaram ativamente da luta contra as diversas ditaduras do continente. O Brasil não foge à regra e, quando o assunto é o idealismo dos jovens, a União Nacional dos Estudantes (UNE) concorre com o célebre quadro de Eugène Delacroix — ela é a imagem histórica do protesto, a juventude conduzindo o povo.Desde o final da década de 40, quando a UNE se engajou na luta pelo petróleo, passando pelos protestos contra o regime militar, foram muitas as manifestações estudantis que tiveram repercussão na vida nacional, quase sempre do lado oposto ao poder. A última delas foi o movimento dos “caras-pintadas”, que contribuiu para a queda de Fernando Collor, em 1992. Por isso, desde a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, a imprensa tem criticado a excessiva proximidade entre a UNE e o governo, com autoridades do poder petista desfilando nos congressos da entidade estudantil como se estivessem em casa.Foi o que se viu em Goiânia na semana retrasada, quando a União Nacional dos Estudantes realizou seu 52º congresso, considerado o maior de sua história. O ex-presidente Lula e vários ministros do governo Dilma Rousseff discursaram no evento, que, segundo a imprensa, teve a participação de cerca de 8 mil estudantes. O congresso culminou com a eleição do novo presidente da UNE, o estudante Daniel Illiescu, de 26 anos, aluno de Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ele assume o lugar do estudante Augusto Chagas, de 29 anos.

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Por uma escola sem partido

Por Miguel Nagib

Há dois anos, um pequeno grupo de pais e estudantes preocupados com a contaminação ideológica de nossas salas de aula decidiu fazer algo para combater essa grave ameaça ao ensino. Criaram, para isso, uma organização informal que, a exemplo de tantas iniciativas nos dias de hoje, se materializou numa página da internet: o www.escolasempartido.org.

O EscolasemPartido.org, que tem por modelo bem sucedidas experiências realizadas nos EUA – especialmente o www.studentsforacademicfreedom.org e o www.noindoctrination.org –, se baseia na premissa de que, numa sociedade livre e pluralista (como diz ser a nossa), as instituições de ensino deveriam funcionar como centros de produção e irradiação do conhecimento, firmemente comprometidos com a busca da verdade, abertos às mais diversas perspectivas de investigação e capazes, por isso, de refletir, com a máxima fidelidade possível, os infinitos aspectos e matizes da realidade. É o que estabelece, com outras palavras, a própria Constituição Federal, ao dispor que “o ensino será ministrado com base nos princípios da liberdade – de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber – e do pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas”.

Infelizmente, contudo, isto não vem ocorrendo em grande parte das instituições de ensino no Brasil, da pré-escola à universidade.

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História distorcida

Por Thomas Sowell

Uma das razões pelas quais nossas crianças estão aquém, academicamente, das de outros países, é o tempo excessivo que é gasto nas salas de aulas americanas, com distorções de nossa história, por motivos ideológicos.

O que você sentiria, se fosse índio americano, ao ver os invasores europeus tomando sua terra? É o tipo de questão a que nossas crianças estão expostas nas escolas. Esse é um caso clássico de olhar para o passado com as suposições – e a ignorância – do presente.

Umas das coisas que se aceitam naturalmente hoje em dia é que é errado tomar a terra de alguém por meio da força. Nem os índios, nem os invasores europeus tinham essa concepção.

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