Uma glória da educação nacional

Por Olavo de Carvalho

Nada debilita mais a inteligência racional do que a ostentação de racionalismo. Erigida em símbolo de autoridade, a razão perde toda eficácia cognitiva e se torna um mero fetiche hipnótico. O opinador ignorante, infectado de progressismo “científico” e decidido a não ler, ouvir ou compreender nada que possa abalar as suas crenças, é, na escala humana, a encarnação mais perfeita da invencibilidade absoluta. Nada pode demovê-lo da convicção de que seu apego fanático a chavões iluministas faz dele a personificação triunfante do conhecimento e das luzes, um herói libertador em luta contra o obscurantismo fundamentalista.

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Gramsci: o parasita do amarelão ideológico

Por Reinaldo Azevedo

Como a obra de Gramsci ficou na grelha da empulhação um pouco mais do que a de Lenin, chega à mesa do debate com menos sangue e disfarça a sua vigarice. Acreditem: a revolução da qualidade na educação, por exemplo, é mais uma questão de vermífugo ideológico do que de verba. O que me leva a este texto?

Na edição retrasada de VEJA, o colunista Claudio de Moura Castro observou que um grupo de educadores reagiu mal à decisão de deixar o ensino técnico para uma fase posterior à da formação geral do aluno. Segundo ele, “os ideólogos da área protestaram (contra a medida) citando Gramsci”. Tomei um susto. Tenho pinimbas com o gramscismo faz tempo. Na minha fase esquerdista-do-miolo-mole, dizia tratar-se de uma “covardia conveniente que passa por tática, em tempos de guerra, e de uma bravura inútil que passa por estratégia, em tempos de paz”. A tirada é sagaz, mas inexata: Gramsci é um perigo na guerra ou na paz. E estão aí o PT e a nova “TV Pública” para prová-lo.

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Exemplo de como age um sindicato dentro da USP

Por Reinaldo Azevedo

reinaldoComo vocês sabem, a Associação de Docentes da USP (Adusp) e o Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP) querem parar a universidade por conta de uma suposta agressão à autonomia universitária, que teria sido praticada pelo governo do Estado. Já escrevi a respeito. Os reitores começaram com essa bobagem e agora vão ter de tentar devolver os monstrengos para a caixa de Pandora. Resolveram ser o Kerenski dos leninistas das universidades. Agora vão ter de se virar.

O leitor Luís Guilherme Fernandes Pereira me manda um vídeo, que está no YouTube, feito por alunos da Politécnica da USP, em que ficam claros os métodos empregados pelo tal Sintusp para defender as suas, digamos assim, idéias. Trata-se de uma mobilização de 2005. Vocês precisam ver. Os rapazes não são cineastas, mas foram muito eficientes em reportar um estado de coisas. (mais…)

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O estudante e o velho professor

Por Miguel Reale

Consultando mais uma vez o relógio, o velho mestre de História Moderna e Contemporânea entrou apressado no anfiteatro que havia sido destinado pelo Diretório Acadêmico para a realização dos exames finais. A sala estava apinhada, como num dia de festa, pairando no ambiente a nervosa expectativa de uma representação teatral. Era a primeira vez que se realizavam provas segundo as disposições dos novos estatutos, baseados na fórmula salvadora: “A Universidade é do estudante”, quando antes se pensara “erroneamente” que ela fosse do povo para os estudantes e os valores da ciência e da cultura.

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Enquanto a Zé-Lite dorme

Por Olavo de Carvalho

Se tenho insistido no tema do desconstrucionismo, é para mostrar que toda tentativa de discussão democrática com intelectuais ou líderes esquerdistas, hoje em dia, é tempo perdido. Eles criaram instrumentos verbais altamente sofisticados para escapar de toda cobrança racional e impor seus desejos e caprichos sem ter de dar satisfações senão à sua vontade de poder. Mais ainda: inventaram um sistema de pretextos infalíveis para sentir que, ao fazer isso, são as melhores pessoas do universo, contra as quais só monstros de egoísmo e crueldade poderiam objetar alguma coisa. Pior: transmitiram essas atitudes e sentimentos a duas gerações de estudantes universitários, que hoje ocupam os espaços fundamentais na educação, na mídia, na administração pública, na justiça e, é claro, numa infinidade de ONGs e “movimentos sociais”.

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