Uso ideológico de prova fere legislação
Reportagem da Gazeta do Povo (Curitiba) sobre o uso político-partidiário da prova do ENADE de 2009 (15.11.2009).
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Para o advogado Miguel Nagib, o uso do aparelho do Estado para imposição ideológica não é apenas condenável do ponto de vista ético, mas também do ponto de vista legal. “A diferença entre o ensino brasileiro e o cubano é que em Cuba a Constituição prevê que a educação levará em conta os princípios do marxismo. A doutrinação é de direito. Aqui não, a doutrinação é de fato”, compara. Nagib afirma ainda que caberia ao Ministério Público (MP), como guardião das leis, combater a prática. Nesse sentido, o MP ainda não se pronunciou sobre o exame – a reportagem procurou a assessoria do órgão, mas até o fechamento desta edição não havia obtido resposta.

Hoje há poucos estudiosos empenhados em produzir pesquisa de bom nível sobre a universidade brasileira. Entre eles, a antropóloga Eunice Durham, 75 anos, vinte dos quais dedicados ao tema, tem o mérito de tratar do assunto com rara objetividade. Seu trabalho representa um avanço, também, porque mostra, com clareza, como as universidades têm relação direta com a má qualidade do ensino oferecido nas escolas do país. Ela diz: “Os cursos de pedagogia são incapazes de formar bons professores”. Ex-secretária de política educacional do Ministério da Educação (MEC) no governo Fernando Henrique, Eunice é do Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas, da Universidade de São Paulo – onde ingressou como professora há cinqüenta anos.