O estudante e o velho professor

Por Miguel Reale

Consultando mais uma vez o relógio, o velho mestre de História Moderna e Contemporânea entrou apressado no anfiteatro que havia sido destinado pelo Diretório Acadêmico para a realização dos exames finais. A sala estava apinhada, como num dia de festa, pairando no ambiente a nervosa expectativa de uma representação teatral. Era a primeira vez que se realizavam provas segundo as disposições dos novos estatutos, baseados na fórmula salvadora: “A Universidade é do estudante”, quando antes se pensara “erroneamente” que ela fosse do povo para os estudantes e os valores da ciência e da cultura.

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Enquanto a Zé-Lite dorme

Por Olavo de Carvalho

Se tenho insistido no tema do desconstrucionismo, é para mostrar que toda tentativa de discussão democrática com intelectuais ou líderes esquerdistas, hoje em dia, é tempo perdido. Eles criaram instrumentos verbais altamente sofisticados para escapar de toda cobrança racional e impor seus desejos e caprichos sem ter de dar satisfações senão à sua vontade de poder. Mais ainda: inventaram um sistema de pretextos infalíveis para sentir que, ao fazer isso, são as melhores pessoas do universo, contra as quais só monstros de egoísmo e crueldade poderiam objetar alguma coisa. Pior: transmitiram essas atitudes e sentimentos a duas gerações de estudantes universitários, que hoje ocupam os espaços fundamentais na educação, na mídia, na administração pública, na justiça e, é claro, numa infinidade de ONGs e “movimentos sociais”.

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A ciência como vocação

Por Max Weber

“[…] Neste momento, detenhamo-nos por um instante nas disciplinas que me são familiares, que são a sociologia, a história, a economia política, a ciência política e todos os tipos de filosofia da cultura que têm por fim a interpretação dos diversos tipos de conhecimento precedentes. É costume dizer, e eu concordo, que a política não tem lugar nas salas de aulas das universidades. Primeiramente, não tem mesmo, no que se refere aos estudantes. Deploro, entre outras coisas, que, [na sala de aula] de meu antigo colega Dietrich Schafer, de Berlim, certo número de estudantes pacifistas se haja reunido em volta de sua cátedra, para fazer uma manifestação. Também deploro o comportamento de estudantes antipacifistas que, ao que tudo indica, organizaram manifestação contra o professor Foerster, do qual, em virtude de minhas concepções, me sinto, por isso, muito afastado e por muitos motivos. Mas a política não tem lugar também, no que compete aos docentes, principalmente quando eles tratam cientificamente temas políticos. A política está, mais do que nunca, deslocada.

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Por uma escola sem partido

Por Miguel Nagib

Há dois anos, um pequeno grupo de pais e estudantes preocupados com a contaminação ideológica de nossas salas de aula decidiu fazer algo para combater essa grave ameaça ao ensino. Criaram, para isso, uma organização informal que, a exemplo de tantas iniciativas nos dias de hoje, se materializou numa página da internet: o www.escolasempartido.org.

O EscolasemPartido.org, que tem por modelo bem sucedidas experiências realizadas nos EUA – especialmente o www.studentsforacademicfreedom.org e o www.noindoctrination.org –, se baseia na premissa de que, numa sociedade livre e pluralista (como diz ser a nossa), as instituições de ensino deveriam funcionar como centros de produção e irradiação do conhecimento, firmemente comprometidos com a busca da verdade, abertos às mais diversas perspectivas de investigação e capazes, por isso, de refletir, com a máxima fidelidade possível, os infinitos aspectos e matizes da realidade. É o que estabelece, com outras palavras, a própria Constituição Federal, ao dispor que “o ensino será ministrado com base nos princípios da liberdade – de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber – e do pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas”.

Infelizmente, contudo, isto não vem ocorrendo em grande parte das instituições de ensino no Brasil, da pré-escola à universidade.

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História distorcida

Por Thomas Sowell

Uma das razões pelas quais nossas crianças estão aquém, academicamente, das de outros países, é o tempo excessivo que é gasto nas salas de aulas americanas, com distorções de nossa história, por motivos ideológicos.

O que você sentiria, se fosse índio americano, ao ver os invasores europeus tomando sua terra? É o tipo de questão a que nossas crianças estão expostas nas escolas. Esse é um caso clássico de olhar para o passado com as suposições – e a ignorância – do presente.

Umas das coisas que se aceitam naturalmente hoje em dia é que é errado tomar a terra de alguém por meio da força. Nem os índios, nem os invasores europeus tinham essa concepção.

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