Universidade Mackenzie (junho 2007)

Por Reinaldo Azevedo

40 anos depois, a USP depreda o Mackenzie

Já ouviram falar da famosa “Batalha da Maria Antônia”, que opôs, de um lado, alunos da USP (Universidade de São Paulo) e, de outro, estudantes da Universidade Presbiteriana Mackenzie? Maria Antônia é a rua onde ficam os dois edifícios. O conflito mais grave aconteceu no dia 3 de outubro de 1968. Era um capítulo da disputa entre esquerda (USP) e direita (Mackenzie), embora, evidentemente, houvesse em ambos os lados quem não estivesse nem de um lado nem de outro. Também nisso o “martiriologismo” esquerdista funciona. Na guerra, os mackenzistas, mais numerosos, acabaram invadindo o prédio da USP. A ação foi atribuída ao CCC — Comando de Caça aos Comunistas. Os uspianos eram liderados por facções de extrema-esquerda. Quais? Ninguém cita porque vocês sabem: o “Bem” não tem nome nem bandeira, não é? Um secundarista de 20 anos (?) morreu com um tiro. A acusação é de que a bala partiu do Mackenzie. Só uma nota para quem não é de São Paulo: o prédio ainda pertence a USP, mas não abriga mais nenhuma faculdade. Os cursos de filosofia, ciências humanas e letras migraram para a Cidade Universitária.

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Universidade Federal de Pernambuco (2007)

Por Reinaldo Azevedo

Vocês sabem que não é apenas o PIB que passa por uma revolução sob o governo do Apedeuta. Também a educação. Uma nova aurora se anuncia. Ao lançar outro dia um pacote para o setoro, Lula disse que taí uma área com a qual não se pode brincar. Ou o resultado é analfabetismo na certa. Corajoso!

A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) tem um programa chamado “Ingresso Extravestibular”. Liguei pra lá. Informam-me que é destinado — a moça não sabia direito, mas é mais ou menos isto — a quem já tenha um curso de graduação e queira fazer outro. Ou quase isso. Ficaram de me enviar um e-mail explicando, mas acho que esqueceram. O que importa é que o estudante ingressa na graduação fazendo uma outra prova, que não o vestibular tradicional. Segundo entendi, é um teste feito pela própria universidade. (mais…)

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Spinoza dança frevo ou toca viola caipira?

Por Reinaldo Azevedo

Vocês se lembram daquele meu post sobre uma prova aplicada na Universidade Federal de Pernambuco? Aquela, que, entre outras graças, atribuía Grande Sertão Veredas a Graciliano Ramos? Então. Um certo Inácio (quem?) Strieder, coordenador do curso de Filosofia da UFPE, resolveu me agredir num artigo publicado hoje no Jornal do Commércio, de Recife. Ao fim de tudo, republico meu comentário original para quem não acompanhou a polêmica.

Vejam só. Escrevi o texto no dia 21 de março. A prova houvera sido realizada, parece-me, no dia 12. O valentão teve de esperar até o dia 4 de abril para articular uma resposta, cuja indigência intelectual é compatível com a prova que ele aplica. É coordenador do curso? Suponho, então, que leu antes o exame — ou nem isso? Leu e achou que estava bom. Deveria pedir demissão. Em vez disso, defende o erro com aquela retórica típica do vitimismo triunfante. Abaixo, reproduzo em vermelho o texto do rapaz, entremeado de comentários meus, em azul. Inácio Strieder é doutor em Teologia pela Universidade de Münster, na Alemanha. Está provado que a língua não faz o monge. Para alguns, é impossível filosofar até em alemão. O texto dele se chama “Sobre pulgas e elefantes”.

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Nota do MEC sobre a cartilha anticapitalista de Mário Schmidt

Por Reinaldo Azevedo

Esquerdopatia nas escolas, a nota do MEC, a educação no pântano

A questão em que toca Ali Kamel (ver aqui) é séria, é grave. Ele diz que não vai importunar o leitor com Gramsci ou temas como “hegemonia”. Entendi o que escreveu mais ou menos assim: “Não vou importuná-los com teorias; prefiro, no caso, demonstrar com as coisas funcionam na prática”. E fez muito bem. O tal livro, que chegou a ser aprovado pelo MEC (ver adiante), não deixa a menor dúvida.Trata-se da mais rasteira doutrinação ideológica.

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Universidade Federal do ABC (2006) – II

Por Reinaldo Azevedo

Vamos continuar com as maravilhas do vestibular da Universidade Federal do ABC:

CARTA ABERTA SOBRE MOVIMENTO GREVISTA NO ABC PAULISTA
São Paulo, 2 de abril de 1980
Mãe,
Tudo errado nesta greve dos metalúrgicos. Ninguém ouviu as instruções do ministro do Trabalho? Alguém entendeu que, para ser legal, é preciso que não haja incitamento, isto é, que a greve seja espontânea?
Então aprendam rapidamente as regras do jogo. Vamos dizer que você acorde de manhã e, vendo que não tem café nem pão, resolve parar de trabalhar até ter o que comer. Se calhar de os 150 mil metalúrgicos terem a mesma idéia, ao mesmo tempo, na mesma hora, ficará caracterizada a greve espontânea.
Mas, se o tom de voz usado for acima de 0,2 decibéis ou for acompanhado por um cruzar de braços, ficará evidenciado o incitamento. Comunicar tal decisão através de folhetos, circulares, reuniões, concentrações, utilizar megafones, apitos (…) é incitamento dos baitas.
Sim! Desmaiar por fome ou mostrar dedos amputados por tornos é incitamento justificável, mas que, devido ao seu grande apelo, será o mais vigiado. (…)

Henfil
Henfil, Cartas da mãe. 1980.

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