Enem 2012: Eis a tal prova

Por Reinaldo Azevedo

Abaixo, transcrevo a prova de redação do Enem. Algumas pessoas estão se esforçando para fazer uma leitura benigna do que vai abaixo. Ok. Cada um ache o que quiser. Daqui a pouco, vou postar mais uma fala deste incrível Aloizio Mercadante, e vocês verão como o tema da prova não deixa de ser uma espécie de desdobramento de sua, digamos, “tese de doutorado”, defendida na Unicamp, na última hora, sob escárnio de Delfim Netto, um dos neoaliados do petismo. A prova segue em vermelho.

 

Atenção! No manual, a exemplo do que se vê abaixo, não há qualquer marca deixando claro que o segundo parágrafo já integra um dos três “textos motivadores”. Fica tudo misturado. Nas instruções, brilha a quinta: “A redação que apresentar proposta de intervenção que desrespeite os direitos humanos receberá nota zero”. Leiam. Volto neste mesmo post para encerrar e no seguinte para analisar a fala de Mercadante.

 

PROPOSTA DE REDAÇÃO

A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em norma padrão da língua portuguesa sobre o tema O MOVIMENTO IMIGRATÓRIO PARA O BRASIL NO SÉCULO XXI, apresentando proposta de intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

Ao desembarcar no Brasil, os imigrantes trouxeram muito mais do que o anseio de refazer suas vidas trabalhando nas lavouras de café e no início da indústria paulista. Nos séculos XIX e XX, os representantes de mais de 70 nacionalidades e etnias chegaram com o sonho de “fazer a América” e acabaram por contribuir expressivamente para a história do país e para a cultura brasileira.
Deles, o Brasil herdou sobrenomes, sotaques, costumes, comidas e vestimentas. A história da migração humana não deve ser encarada como uma questão relacionada exclusivamente ao passado; há a necessidade de tratar sobre deslocamentos mais recentes.
Disponível em: http://www.museudaimigracao.org.br. Acesso em: 19 jul. 2012 (adaptado).

Acre sofre com invasão de imigrantes do Haiti

Nos últimos três dias de 2011, uma leva de 500 haitianos entrou ilegalmente no Brasil pelo Acre, elevando para 1400 a quantidade de imigrantes daquele país no município de Brasileia (AC). Segundo o secretário-adjunto de Justiça e Direitos Humanos do Acre, José Henrique Corinto, os haitianos ocuparam a praça da cidade. A Defesa Civil do estado enviou galões de água potável e alimentos, mas ainda não providenciou abrigo. 
A imigração ocorre porque o Haiti ainda não se recuperou dos estragos causados pelo terremoto de janeiro de 2010. O primeiro grande grupo de haitianos chegou a Brasileia no dia 14 de janeiro de 2011. Deste então, a entrada ilegal continua, mas eles não são expulsos: obtêm visto humanitário e conseguem tirar carteira de trabalho e CPF para morar e trabalhar no Brasil.
Segundo Corinto, ao contrário do que se imagina, não são haitianos miseráveis que buscas o Brasil para viver, mas pessoas da classe média do Haiti e profissionais qualificados, como engenheiros, professores, advogados, pedreiros, mestres de obras e carpinteiros.  Porém, a maioria chega sem dinheiro.
Os brasileiros sempre criticaram a forma como os países europeus tratavam imigrantes. Agora, chegou a nossa vez – afirma Corinto.
Disponível em : http://www.dpf.gov.br

Trilha da Costura

Os imigrantes bolivianos, pelo último censo, são mais de 3 milhões, com população de aproximadamente 9,119 milhões de pessoas. A Bolívia em termos de IDH ocupa a posição de 114º de acordo com os parâmetros estabelecidos pela ONU. O país está no centro da  América do Sul e é o mais pobre, sendo 70% da população considerada miserável. Os principais países para onde os bolivianos imigrantes dirigem-se  são: Argentina, Brasil, Espanha e Estados Unidos. 
Assim sendo, este é o quadro social em que se encontra a maioria da população Boliviana, estes dados já demonstraram que as motivações do fluxo de imigração não são políticas, mas econômicas. Como a maioria da população tem baixa qualificação, os trabalhos artesanais, culturais, de campo e de costura são os de mais fácil acesso.
OLIVEIRA, R.T. Disponível em: http://www.ipea.gov.br

Encerro

Quem decide o que é e o que não é “respeito aos direitos humanos”? É o examinador, por intermédio de seu braço operacional: os corretores. Um estudante que defendesse, por exemplo, o repatriamento de imigrantes ilegais em defesa da mão de obra brasileira estaria respeitando ou desrespeitando os tais “direitos humanos”? No próximo post, Mercadante entrega o serviço.

Publicado no blog do autor em 5 de novembro de 2012

 

 

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