Uma nova velha batalha – 1ª parte

Por Augusto Araujo

Quem freqüenta a Internet, mais precisamente os blogs políticos e comunidades afins do Orkut, sabe que ela é palco de uma polarização Esquerda vs. Direita, ou vice-versa. A própria Folha de São Paulo publicou uma matéria sobre a questão no ano passado. O debate dos tempos da Guerra Fria está quente no mundo virtual. Definir “esquerda” e “direita” num mundo pós-queda Muro de Berlim não é tarefa fácil, e nem tentarei fazê-lo no presente texto. Aliás, estes rótulos já até foram dados como extintos, mas curiosamente ressurgiram recentemente, de modo que abordarei algumas razões para o fato.

Penso que um dos motivos deste atual embate virtual é o fato da área de Humanas, nas Universidades, ser hegemonicamente dominada pelo pensamento esquerdista há décadas, consequentemente isto foi disseminado em salas de aula, meios de comunicação, livros, filmes, etc. De modo que quem discordava dessas idéias somente encontrou melhor vazão de opiniões agora, na Internet.

“Reacionário”, “elitista”, “insensível”, “direitista” (em tom pejorativo) e até “alienado” são singelas alcunhas dirigidas aos discordantes da esquerda. Já as áreas de Exatas e Biológicas, no geral, nem tomam conhecimento de tal conflito de idéias.

São alvo do desprezo das esquerdas a maior rede de TV do país e a revista de maior circulação nacional. Quanto à rede de TV, a raiva é praticamente injustificada. Talvez quisessem que ela servisse mais à doutrinação ideológica do que ao entretenimento fácil. Já quanto à revista, esta sim toma frente no debate. Há até colunistas dissonantes, mas a linha editorial geral tem sido claramente contrária ao pensamento esquerdista. E ressalvo o seguinte, não é uma parcialidade desonesta, mas sim uma posição calcada em fatos e opiniões embasadas e procedentes.

Nos ambientes acadêmicos ninguém se declara comunista (na prática não são mesmo), apenas são “críticos” da atual conjuntura social. É pena que a tal visão crítica seja eufemismo para uma visão maniqueísta e marxista. Experimentem falar com algum aluno de cursos como História, Geografia ou Ciências Sociais. Todos lutam contra a exploração capitalista sem saber que repetem os chavões dos comunistas dos séculos 19 e 20.

Há uma confusão nos argumentos e críticas dos esquerdistas quanto a que modelo político-econômico eleger. Ou seja, há críticas ao sistema vigente, mas escassas soluções viáveis e já testadas a serem seguidas.

No mundo moderno tivemos 3 sistemas: o capitalismo que sempre vai ser mais ou menos influenciado pelo Estado, daí a ser chamado de mais ou menos liberal; a social-democracia, de base capitalista, mas na qual o Estado é muito presente na Economia, ajudando de um lado e atrapalhando de outro; e o comunismo que chega a ser ridículo de ser citado diante do seu fracasso, embora pareça que até hoje os críticos do capitalismo demonstram que não entenderam as falhas intrínsecas de tal sistema.

O capitalismo nem é fruto de uma engenharia social, como no caso do comuno/socialismo, que chegaram a nomear de científico, mas sim de um constante ajuste de tentativa e erro, onde a dinâmica dos grupos tende a levar a um relativo equilíbrio e evolução.

Deixando um pouco essa superficial explanação de lado, eu pergunto: qual o motivo de se haver um pensamento esquerdista tão incrustrado na academia brasileira e em dissonância com a realidade do mundo?

Sim, pois um bom exemplo dessa realidade que cito, seriam duas ilhas: Cuba e Japão. A primeira com um regime comunista e geograficamente próxima de um gigante capitalista (EUA). Foi apoiada por um país comunista (ex-URSS). Constituiu-se uma vitrine do sistema comunista. A segunda ilha com um regime capitalista liberal e geograficamente próxima de um gigante comunista (China). Foi apoiada por um país capitalista (EUA). Também serviu como uma vitrine capitalista.

Numa ilha o povo foge em pequenas barcaças e alguns chegam a ser fuzilados quando recapturados pela guarda do seu país. Dados de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) são fornecidos unicamente pelo governo. É uma ditadura há quase 50 anos. Os carros são todos ainda da década de 50. Uma das menores economias do da América Latina.

Na outra ilha, trabalhadores do mundo inteiro migram para lá. O IDH é muitíssimo superior e os dados são auditado por organismos internacionais. É uma democracia. Possui o maior percentual de carros Rolls-Royce per capita do mundo. Terceira economia do mundo.

Dispensável dizer qual é qual, não? Isto que deixei alguns dados interessantes de fora.

Ah sim, quando citam a pobreza no Brasil e de outras partes do mundo e atribuem isto ao capitalismo, é justo o contrário. É da falta de capitalismo que surge a pobreza. Observem o ranking Heritage de Liberdade Econômica e verifiquem isso. Mais simples ainda é observar a correlação entre crescimento econômico, desemprego, renda e IDH.

Ou seja, não há o que negar no fracasso das idéias advindas de Marx e das críticas clássicas ao capitalismo. O que alimenta este pensamento nas Universidades então? Vou listar alguns motivos que penso serem relevantes:

1ºA desigualdade social no país.

2ºO apelo emocional simplista

3ºO regime militar.

4ºA média da origem social/econômica dos alunos de Humanas, em especial da área de Sociais.

5ºA falta de reciclagem dos professores.

6ºA produção humanística, em geral, é marginal a uma sociedade de consumo.

Para não me alongar e respeitar o subtítulo do artigo, finalizo por aqui e comento os ítens enumerados em um próximo texto. Não tenho a intenção de fazer nenhum tratado sociológico, longe disso, mas apenas de tentar esclarecer os motivos de alguns fatos atuais.

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