Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2008)

Leia, a seguir, o teor da questão e, abaixo, a matéria publicada pelo jornal Zero Hora de Porto Alegre, em 18 de janeiro de 2008:

“24. Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas do texto abaixo, na ordem que aparecem:

A América Latina ocupa posição periférica na economia mundial. Os países da região adotam políticas que reforçam esta sua posição, ora defendem propostas alternativas às economias centrais.

Uma das políticas das economias centrais para manter a posição periférica dos demais países é a …….; e um projeto internacional destinado a inibir as iniciativas de autonomia e integração dos países latino-americanos é …. .

(F) neoliberal – o Acordo de Livre Comércio das Américas (ALCA)

(G) liberal – a Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL)

(H) populista – o  Mercado Comum do Sul (MERCOSUL)

(I) socialista –  a Associação Latino-Americana de Livre Comércio (ALALC)

(J) nacionalista – a Organização dos Estados Americanos (OEA)”

UMA QUESTÃO CONTROVERSA

A questão 24 da prova de História do último vestibular da UFRGS, que apontava como resposta certa a política neoliberal para manter a posição periférica dos demais países e a Alca como o projeto internacional destinado a inibir as iniciativas de autonomia e integração dos países latino-americanos, provocou divergências não só nos meios político e acadêmico e na internet. Leitores discutiram o tema em cartas dirigidas à Redação de ZH.

O aeroviário Rodrigo Neto Dinnebier, de Porto Alegre, discorda de quem acusa a questão de ideológica: “Não é possível negar uma realidade histórica abordada em uma questão de vestibular, que discorria sobre o neoliberalismo e seus efeitos na América Latina”. Já o administrador Edilton Hofmann, também da Capital, considerou a maioria das questões do vestibular “com um cunho exageradamente esquerdista”, questionando: “Por que afirmar que o grande mal da América são a globalização e a Alca? A quem cabe a formulação das questões?”

A presidente da Comissão Permanente de Seleção, professora Maria Adélia Pinhal de Carlos, explica: “A prova de História objetiva a valorização deste campo do conhecimento através da compreensão, da reflexão e do posicionamento dos candidatos sobre o processo histórico que envolve as diversas sociedades humanas no tempo e no espaço, com base nas relações sociais concretas e nas respectivas contradições resultantes. O programa de História fundamenta-se em duas premissas: primeiro, a importância da experiência histórica socialmente acumulada para a apreensão da dinâmica do processo, especialmente nas suas manifestações contemporâneas; segundo, o reconhecimento da existência de articulações entre as diferentes dimensões (local, regional e mundial), além das interligações entre o específico e o geral”.

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