O livro didático e a educação no Brasil

Por Murilo Badaró

A recente pesquisa produzida pela CNT/Sensus e divulgada pela revista Veja põe a nu verdades estarrecedoras sobre o quadro atual da educação brasileira. Nos dias de hoje, ela tem como missão principal a corrupção das mentes dos jovens brasileiros na escola, incutindo neles idéias estapafúrdias sobre valores políticos, econômicos e sociais, que o progresso do mundo colocou no lixo da história.

Como bem acentuou o intérprete dos resultados da pesquisa, a educação esforça-se para exilar a mocidade brasileira no século XIX, afastando-a deliberadamente do ideário de progresso e liberdade dominante nos países livres do mundo moderno. O professorado, mal pago e pior preparado para sua missão, repete mecanicamente conceitos e slogans com que foram manipulados, em monocórdio cantochão doutrinário saído dos livros didáticos produzidos pelo Ministério da Educação e disseminados por todo o Brasil. Pretende impor à grande maioria idéias que o mundo revogou por imprestáveis e é preciso denunciar à nação o grau de malefícios que essa política educacional causa ao futuro de nossa sociedade.

Além de cuidar apenas da doutrinação com idéias e colorações marxistas DÉMODÉS, há muito revogadas, falharam na missão principal do ensino fundamental, onde se processa a maciça doutrinação política, de ensinar os jovens a ler e a escrever, obrigando as escolas de nível superior a se transformar em verdadeiros cursos supletivos, com aulas de reforço para suprir carências de fazer operações aritméticas simples e ler e interpretar textos.

Essa crise pode ser debitada a vários fatores, como o baixo salário dos mestres, a péssima condição de infra-estrutura das escolas, o descaso e o desinteresse da sociedade para com o que está se passando nelas. Qualquer seja o motivo, é insuportável assistir sem protestos à doutrinação marxista na escola pública e privada brasileira, com estímulos governamentais, numa nação onde o Estado deveria zelar para que as escolas sejam politicamente neutras.

Como dizia Max Weber, “o profeta e o demagogo não pertencem ao espaço acadêmico”. O que ensina o livro didático, adotado pela ampla maioria das escolas públicas e privadas do Brasil, está totalmente equivocado, política e historicamente. Graves são a distorção, a deformação, a defraudação e a degradação sistemática das concepções da história, sociologia, economia e geografia, determinadas por motivação política. Oferecem grotesca salada ideológica, confundindo deliberadamente a verdade pregada pelos grandes pensadores.

O mais grave é o total desconhecimento dos pais, aliado ao desinteresse em relação ao que se passa nas escolas e nos estudos de seus filhos. Segundo alguns professores entrevistados, sua missão não é ensinar, mas “preparar cidadãos” (sic). Talvez seja por isso que a dignidade e a coerência no Brasil de hoje estejam para a política assim como a gagueira está para o teatro, algo que é necessário eliminar para obter sucesso e aplausos.

Ex-Presidente da Academia Mineira de Letras

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