Mensagem enviada por Isaías Rosa da Silva, em 04.11.2015

 

EDUCAÇÃO BANCÁRIA E EMPODERAMENTO: A QUEM INTERESSA? 

Na universidade ouvi, ad nausean, algumas expressões e máximas nunca ouvidas fora daquele ambiente. Eis algumas delas: “educar é um ato político”; “educação bancária”; “desconstrução”; “contra-hegemonia”; “empoderar”. Coloquei-as nessa ordem propositalmente. Acredito que fazem parte de um processo meticulosamente articulado, mas me deterei em apenas duas.

Não importava qual disciplina estava sendo ministrada; elas estavam presentes e sempre legitimadas, referendadas e vivenciadas por algum vulto histórico. Tais vultos “ectoplasmáticos” pareciam falar através dos professores e até de alguns colegas que, fazendo eco, macaqueavam e ainda macaqueiam seus mestres. Empoderamento das mulheres, das crianças e adolescentes, dos negros das periferias, das favelas, dos morros, da comunidade lgbt (e mais todas as iniciais possíveis), dos pobres, dos “progressistas”, dos esquerdistas, etc, etc, etc.

Comecei a fazer os seguintes questionamentos. A mim mesmo, lógico. De onde sairia tanto poder para tantos? Quem ou o quê empoderaria? Quem ou o quê ficaria esvaziado de poder? O que essas minorias, agora com tanto poder, iriam poder fazer? Contra quem ou o quê iriam poder fazer? Porém, o principal questionamento que me fiz foi o seguinte: ser ou estar empoderado é o mesmo que ser poderoso ou ter poder? A resposta ninguém me deu, mas ela foi sendo construída através de desconstruções de tudo que ouvi e presenciei ao longo de toda a graduação e, muito mais agora com esses últimos acontecimentos no cenário político-apocalíptico de nosso país. O empoderado é bom que tenha, na exata e necessária medida, a sensação de ser poderoso ou ter poder. Ainda que realmente não seja e nunca vá ser ou não tenha e nunca vá ter. Poder mesmo tem quem ou o quê o investiu do tal empoderamento.

Em relação a “educação bancária” tão propalada e combatida nas licenciaturas e, especialmente no curso de Pedagogia, no qual me formei, ironicamente OU NÃO foi o que mais ocorreu e ainda ocorre. Na biblioteca não se encontrava um autor que fosse contrário ao discurso “contra-hegemônico” ou que fosse de direita, liberal, neo-liberal, não-marxista, reconhecidamente capitalista, etc, etc, etc. Onde estava o debate? Onde estava a discussão? Simplesmente não existia e acho que ainda não existe. No lugar disso o que atestei e percebi foi um intenso, constante e animado diálogo. Isso realmente existe na Academia. Todos os marxistas-socialistas-leninistas-progressistas-esquerdistas-comunistas dialogando entre si. Todos os integrantes da Escola de Frankfurt em conversas animadas e inspiradoras. Amalgamando todos esses encontros, principalmente dos integrantes da Escola de Frankfurt, está o pensamento nefando e ignominioso de um certo prisioneiro italiano. Nas universidades brasileiras “educação bancária” não. “Doutrinação bancária” sempre. Essa é a visão de um Pedagogo formado em uma universidade pública dessa “pátria (des) educadora”

 

 

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