Bela Adormecida percebe que universidade não é príncipe encantado

“Talvez o professor tenha confundido o curso, ou o papel da educação, ou, ainda, ele seja mais um dos que vergonhosamente usam a educação como arma ideológica.”

Dormi acreditando ser acadêmica de administração – afinal foi para isso que me matriculei -, até que resolvi me inscrever em um dos componentes curriculares do curso, e então eu acordei.

Na foto (abaixo)  é possível ver o plano de curso da disciplina que me intriga. Talvez o professor tenha confundido o curso, ou o papel da educação, ou, ainda, ele seja mais um dos que vergonhosamente usam a educação como arma ideológica. Na grade curricular, ela se chama “Tópicos Avançados em Administração”, mas talvez o professor tenha confundido com tópicos avançados em militância e pensamento revolucionário.

Não que isso seja incomum, especialmente nas universidades. Na verdade, como aluna, desde muito cedo notei que a educação era usada para fins além daqueles para os quais foi feita. Um professor bravejando contra o capitalismo aqui, outro endossando a ideologia de gênero ali. Tudo muito sutil, afinal a revolução precisa mesmo de uma maneira sutil de disseminação, pois de forma escancarada suas pautas são absurdas demais, jamais seriam aceitas, especialmente no período escolar que vai até o ensino médio, já que os pais costumam – ainda que nem tanto – estar mais presentes, acompanhando os estudos dos filhos.

No entanto – e não escondo minha surpresa -, a sutileza, o que restava de dignidade dos revolucionários, é abandonada no meio acadêmico, como descobri. A todo custo tentam impor esse pensamento deturpado, ignorando até o senso do ridículo e com tamanha agressividade e tom ameaçador, que quem precisa ser discreto em suas convicções são os conservadores, cristãos, ou qualquer um que apresente uma mínima discordância.

A forçação de barra é tão grande que a penúltima sugestão de pesquisa para apresentação de seminários precisa lembrar que se você se esforçar bastante, vai enxergar a suposta possibilidade de relacionar questões de gênero e sexualidade à administração: “Transgêneros, Transexuais, Travestis e trabalho _ um diálogo possível no campo da Administração”. Aliás, tudo isso reforça minha suspeita de que não houve confusão alguma quanto à natureza da disciplina por parte do docente, mas uma tentativa deliberada – e que pelo visto será bem sucedida – de impor pautas político-ideológicas em sala de aula. Um ataque à liberdade de consciência dos discentes, uma atuação vergonhosa de um militante travestido de profissional educador.

Quando ingressei no meio acadêmico, compreendi mais exatamente o que Ana Caroline Campagnolo quis dizer quando denunciou o uso que a revolução faz da educação para alcançar seus objetivos, e talvez Phyllis Schlafly não tenha sido tão radical quando disse que as alunas universitárias deveriam considerar o exato oposto do que é ensinado pelos professores.

Contudo, quem dera o ridículo e a doutrinação fossem os únicos problemas. O que não se discute nos debates onde só uma voz é ouvida e permitida – a revolucionária – é o que acontece com os alunos que, de forma corajosa, decidem de fato debater os temas, mostrando o contraditório. O que acontece a um aluno que, ao apresentar um seminário com tema como um dos propostos, decida mostrar que o feminismo não foi senão um veneno à sociedade de forma geral, sendo contribuinte apenas da degradação moral? E ao aluno que queira demonstrar o quão ridícula é a ideia de masculinidade tóxica? E se o aluno ao menos questionar a relevância ou necessidade da discussão desses temas em um curso que deveria formar apenas e exclusivamente bons gestores, o que acontece?

A tolerância pregada pelos grupos revolucionários há muito não é digna de crédito, haja vista sua hipocrisia escancarada, que persegue, ameaça e até agride o que se mostra discordante. Assim, resta ao aluno conservador, cristão ou que possui uma mínima honestidade intelectual fechar os olhos e seguir rumo ao seu diploma, pois do contrário poderá estar cometendo suicídio acadêmico, embora me pareça mais justo chamar de homicídio (doloso)  acadêmico.

This Post Has One Comment

  1. Cristiane Almeida

    Sou māe de duas crianças e até recentemente eu acreditava que estavam protegidas em um Colégio Batista, que propaga o ENSINO CONFESSIONAL CRISTĀO. Porém, descobri que é pura propaganda mesmo. Na verdade, começam a induzir as crianças desde o ensino fundamental.
    Tenha FORÇA, mantenha sua MENTE SĀ.
    Muito obrigada pelo seu depoimento.
    Você me ajudou a enxergar melhor a dimensão dessa loucura.

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